quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Tempo de Nozes


Olá minha gente,

Todos os anos, no Outono, assistimos ao cair de milhões e milhões de folhas de árvores, que, aos poucos, cobrem o chão com um manto em tons de amarelo, laranja e castanho. Atrevo-me a afirmar que acho estranho que, com um fenómeno como este, o Sr. Newton tivesse que ter levado com uma maçã na cabeça para estudar e desenvolver a “Teoria da Gravidade”.

Se por um lado este fenómeno que anuncia o fim do verão, do calor, das férias, o que pode não ser muito agradável (para uns), por outro lado anuncia que estamos a chegar à altura em que, em conjunto com as ditas folhas, começam a cair outras coisas boas, como as nozes.

Como vocês já sabem, vivendo eu numa horta, a minha casa é rodeada por um sem número de árvores de cultivo, de entre elas nogueiras. Quando chega a esta altura do ano, a cada dia que passamos pela dita árvore vemos mais um par de nozes que já espreitam pelas cascas, cada vez mais abertas e secas. Até que, num belo dia caem por si, ou se não, há sempre alguém com “sede” de nozes que não lhes resiste e, empunhando uma cana, fá-las cair.

Depois é só apanhar do chão, ao chegarmos ao fim apercebemo-nos que temos as mãos pintadas de castanho, negro, amarelado e verde. Enfim, é sempre assim todos os anos, “marcas de guerra”.

Dali vão para uma caixa para secarem ao sol de Outono que ainda é quente (por vezes) e logo, logo, estão no ponto para levarem uma martelada e serem abertas.

São uma verdadeira iguaria e é um privilégio poder tê-las, literalmente, ao lado de casa, sem corantes, nem conservantes. 

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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Mascote da Atalaia


Rua da Atalaia, Bairro Alto, Lisboa. Uma casa castiça e singela abre as portas dos números 13 e 15, no interior sentimos que fomos transportados para as primeiras décadas do século XX, cadeiras e bancos de madeira e mesas com tampos de mármore. As portadas abertas permitem-nos apercebermo-nos de tudo o que se vai passando na rua da Atalaia.

A Mascote da Atalaia é um sítio “cool” e acolhedor, que abriu em Maio deste ano, depois de ter estado fechada durante cerca de 10 anos. A sua decoração é de uma tasca típica de há cerca de 40 anos atrás, que eram abundantes naquela zona. As paredes estão decoradas por várias fotografias de noites de fado ali vividas recentemente. Sim porque na Mascote podemos também usufruir, todas as segundas e terças a partir das 20 horas, de um belo serão de fados, acompanhado de uma boa refeição e sendo a casa pequena podemos estar bem próximos dos fadistas. Para além de tudo, isto o atendimento é bastante simpático e atencioso.

Por isso ficam os cinco Barriganas para o ambiente.

A ementa desta casa é, essencialmente, baseada em tapas, pratos e petiscos tradicionais da cozinha portuguesas, uns que se mantêm fiéis às origens como os torresmos, o pica-pau, as moelas, as migas de enchidos ou de bacalhau. Por outro lado, a mascote tem algumas “cartas especiais na manga” e surpreende-nos com alguns pratos que trazem um toque especial e moderno a clássicos da nossa cozinha, como bifana de seitan.

Eu, Barrigana, embebido por todo este espírito de portugalidade abundante por aquelas paragens, deixei-me ficar por uma tradicionalíssima e muito saborosa bifana e por um inesquecível prego no pão, ambos tenríssimos e ambos envolvidos num molho que mistura sucos de carne com mostarda…hum…até salivo só de me lembrar. Como acompanhamento, pude contar com um par “Laurentinas” (cerveja moçambicana) fresquinhas e leves.

Para complementar um “arroz doce” bem cremoso e malandrinho e um guloso salame de chocolate.

Assim, para a ementa ficam os cinco Barriganas.

Os preços da “Mascote da Atalaia” rondam em média os 5 e os 6,50 euros por pessoa, que não deixa de ser bastante acessível para o nível de prato e petiscos que apresentam.

Por isso ficam os cinco Barriganas para o preço.

Deixo-vos um conselho, se gostam de bons petiscos, de uma boa “pinga” e de um “faducho”, ou de uma conversa descontraída para acompanhar, juntem alguns amigos e vão à “Mascote da Atalaia”. Não se arrependem de certeza.


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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Mitos na cozinha III


Olá a todos,

Hoje o Barrigana vem esclarecer mais um mito que influencia a nossa maneira de olhar para o que comemos e como comemos.

Só se deve comer marisco nos meses com “R”

Esta é uma “crença popular” muito antiga e que (depois de uma rápida pesquisa online) faz sentido. Ora vejamos.

Tradicionalmente, o marisco “tem mais saída” nos meses de maior calor (Primavera/Verão), ou seja, Maio, Junho, Julho e Agosto (nenhum deles com “r”). Não há nada melhor do que uma tarde/noite passada numa esplanada à beira mar, enquanto nos refrescamos com umas bebidas fresquinhas e nos empanturramos com deliciosos e variados mariscos. Apesar disto, o perigo pode estar, literalmente, ao “abrir de cada casca” e os culpados são uns organismos microscópicos denominados de dinoflagelados que produzem toxinas nocivas, tanto para o marisco, como para a saúde humana.

Tudo isto está ligado porque estes dinoflagelados fazem parte do grupo do fitoplânton (plâncton marinho) que é um elemento fundamental na cadeia de alimentar de várias espécies marinhas (peixes e crustáceos), de entre elas muitas espécies de marisco. Sendo que entram na cadeia alimentar destas espécies, entram, consequentemente, na nossa cadeia alimentar.

Estes “meninos” (os dinoflagelados) são duros de roer e, ao serem ingeridos, não morrem e vão-se acumulando ao longo da cadeia alimentar (ou seja, acumulam-se no organismo dos animais até este ser apanhado). Para além disto, estas toxinas são também resistentes ao calor, ao ácido (processos culinários) e não apresentam cheiro ou cor diferentes dos que estão em condições para consumir. Conclusão, alguns mariscos podem ser autênticas “bombas” de toxinas.

Por isso, por um lado, o “mito” é verdadeiro porque nos meses sem “R”, o calor é maior provocando, assim o crescimento destas toxinas no plâncton.

Quais as consequências? Paralisia, amnésia, desarranjos digestivos e intestinais, e, em casos extremos, poderá levar à morte. Mas calma! Não fiquem alarmados, apenas em casos em que o sistema imunitário do indivíduo esteja fortemente debilitado, como por exemplo crianças, idosos e pessoas doentes e só algumas “espécies” de dinoflagelados são mortais.

Contudo, não existem toxinas mortais em águas portuguesas e hoje em dia, o risco é diminuído graças à vigilância das autoridades responsáveis, que à mínima ameaça interditam a apanha e comercialização. A isto acresce o facto de muitos dos bivalves e marisco que se encontram à venda nos supermercados são apanhados em meses/épocas permitidas e congelados. Muitas vezes não têm o mesmo sabor, mas vale a pena para não ingerirmos toxinas.    

Assim, por outro lado acho que o “mito” não nos pode afectar pois estamos, parcial ou totalmente protegidos. 

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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Pão de Caril e frutos secos


Olá pessoal,

Como já vos tinha confessado aqui, sou totalmente viciado em pão. Por isso mesmo, é que desde que me dediquei a aprender e a desvendar todos os seus segredos, ando a tentar desenvolver vários pães ditos “diferentes”, com diferentes cores e sabores.

Assim, a receita de hoje é mais uma dessas “experiências” que levei a cabo num destes dias e que me parece perfeita para esta altura do ano.

Por isso, e sem mais demoras, hoje trago-vos “Pão de caril e frutos secos”. Para isto vão precisar de:

- Cerca de 300g de farinha tipo 65 (mais um pouco para polvilhar);
- ½ colher de sopa de azeite;
- 1 colher de sopa de óleo vegetal;
- 1 colher de chá de açafrão em pó;
- 2 colheres de chá de caril em pó;
- Cerca de 11g de levedura/fermento de padeiro (1 saqueta);
- Cerca de 10g de sal fino;
- Amendoins com picante (ou sem) q.b. ;
- Pinhões q.b.;
- Sementes de sésamos q.b. ;
- Sementes de papoila q.b. ;

Primeiro juntam-se todos os ingredientes numa taça, tendo sempre atenção para que, na fase inicial, o sal e a levedura não entrem em contacto (para que o sal não “mate” a levedura­ - são seres vivos). Depois mistura-se tudo muito bem, juntando água (da torneira), cerca de 150 a 200ml, até formar uma massa peganhenta.
Posto isto, retira-se a mistura da taça e começa-se a amassar numa superfície enfarinhada, por cerca de 10 minutos, até obtermos uma massa homogénea e elástica. Nesta fase, leva-se a levedar, dentro da taça, por cerca de uma hora, num local seco e escuro, a massa deverá ter o dobro do tamanho inicial.

Passado este tempo, retira-se da taça e amassa-se por mais alguns minutos e “dá-se” a forma desejada. Deixa-se descansar por 10 minutos tapada com um pano (ou película antiaderente), polvilha-se com água e dispõem-se os amendoins, os pinhões e as sementes de sésamo e de papoila um pouco por todo o pão, pressionando-as (levemente) para que não caiam. Para terminar, polvilha-se tudo com um pouco de farinha.
Vai ao forno por cerca de 45 minutos, ou até estar ligeiramente dourado e estaladiço por fora. 

Uma autêntica delícia para se comer com uma simples manteiga, ou com uma receita mais elaborada como patês de vegetais, ou até de peixe.

É também uma óptima opção para um chuvoso dia de Outono. Já estou a imaginar, chuva e vento lá fora e cá dento um aromático pãozinho quentinho, acabado de sair do forno. Simplesmente delicioso.

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