segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Comer com as mãos


Olá a todos,

Desde os primórdios da Nossa existência como seres humanos a nossa forma de comer alterou-se drasticamente. De comer com as próprias mãos, passámos a comer com talheres feitos com vários materiais, com diferentes formas e feitios. Pode-se afirmar que, hoje em dia, praticamente todas as refeições que fazemos incluem uma traquitana específica, desde talheres de carne, talheres de peixe, talheres de entrada, talheres para marisco, pauzinhos, entre outros.

Por um lado acho que os talheres são muito úteis, mais higiénicos (em certos casos), e alguns, até bastante divertidos. Ainda assim, existem muitas comidas que hoje em dia, em pleno século XXI, só fazem sentido, e são até mais saborosas, quando comidas com as nossas próprias mãos.

Por muito que neguemos, todos nós temos uma comida, à qual não conseguimos resistir, sem lhe “jogar as manápulas”. No meu caso consigo lembrar-me de várias, de entre elas contam-se: frango assado, sardinhas assadas, caracóis, piza, pastéis de bacalhau, rissóis e croquetes, entrecosto, pastéis de nata, camarões, caranguejos e sapateira, as habituais sandes, entre muitas, muitas outras. Alguns destes pratos, para além de serem quase impossíveis de se comer com talheres (os caracóis, por exemplo), são de facto bem mais saborosos quando comidos com a mão.

Por outro lado, é difícil comer com as mãos e por vezes sentirmo-nos uns autênticos “homens das cavernas”, cheios de gordura e “molhanga” na boca, cara, nariz (incluindo dentro do nariz), mãos, camisa, sobrancelhas, cabelo, orelhas… enfim, a mim já me aconteceu demasiadas vezes.

Contudo devo esclarecer que não tenho qualquer divergência com talheres, ou quaisquer outros utensílios de cozinha, assim como, com as pessoas que não conseguem comer sem os mesmos, ainda assim, aproveito esta oportunidade para deixar um conselho àqueles que querem dar uma séria oportunidade ao “estilo” de comer com mãos.

Resumidamente, a higiene é tudo. Primeiro: Mantenham as mãos sempre bem limpas. A higiene é muito importante nestas ocasiões, não queremos ter, literalmente, um dissabor enquanto apreciamos a nossa suculenta e saborosa coxa de frango, ou seja, lavem sempre as mãos antes de comer. Segundo: Cortem, sempre, mas sempre a unhas, a não ser que queiram passar um semana com pedaços de comida debaixo delas e logo naquele dia que havia entrecosto para o almoço é que o vosso patrão percebeu o quão porcos vocês são apenas por vos dar um aperto de mão.        

Por isso já sabem, para mim com as mãos também vale…e muito. 

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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Magret de pato com medronho e doce de figo


Olá minha gente,

Hoje o Barrigana, em mais uma das suas receitas, traz-vos uma receita com um ingrediente inédito nos Diários d’um Barrigana, pato.

Para começar da melhor maneira resolvi fazer um delicioso e suculento peito de pato, ou como é mais conhecido hoje em dia “magret” de pato. Esta é uma carne que merece ser experimentada, pois é muito saborosa, quando cozinhada de maneira correcta. O peito do pato, é, por norma, uma peça com uma grande camada de gordura, pois o animal precisa desta para se proteger do frio durante o inverno. É esta gordura que torna a carne tão saborosa e suculenta. O segredo está em comprar um peito grande, com uma boa camada de gordura, com a pele clara e sem alterações de cor.

A este, juntei dois ingredientes que combinam lindamente entre si, e que, por estas alturas, também estão em época. Figo e medronho. Para conferir alguma doçura ao prato e cortar com a riqueza da carne decidi usar um doce de figo ao qual juntei um pouco de aguardente de medronho, para acentuar mais os sabores e para dar uma espessura de molho ao doce de figo.
Assim, para esta receita vão precisar de:

(para 2 pessoas)
- 1 peito de pato (grande);
- 2 a 3 colheres de sopa de doce de figo;
- 2 a 3 colheres de sopa de aguardente de medronho;
- Sumo de limão q.b.
- sal e pimenta;
- Flor de sal.       

Começamos por golpear (com uma faca bem afiada) o peito de pato, apenas do lado da pele, nunca chegando à camada de carne. Desta forma, assim que o peito começar a cozinhar, vai libertar gordura, essencial para dar sabor e para deixar a carne suculenta.

Posto isto, numa frigideira bem quente e sem qualquer gordura (azeite, óleo ou manteiga) colocamos o peito de pato com a pele virada para baixo e temperamos o lado virado para cima com pouco sal. Deixa-se cozinhar o lado da pele até ficar bem estaladiço e dourado, depois vira-se e deixa-se cozinhar por pouco tempo. Retira-se e deixa-se a carne descansar embrulhada num pouco de papel de alumínio por cerca de 5 minutos, antes de cortar (se cortássemos logo de seguida a carne iria libertar todos os sucos e ficaria muito seca).

Entretanto escorre-se a maioria da gordura da frigideira (que pode ser aproveitada para outros pratos, basta guardá-la num frasco no frigorífico) e junta-se o doce de figo, seguido do sumo de limão, deixando-se cozinhar por alguns minutos. Nesta fase junta-se a aguardente de medronho e faz-se um flambé, para “queimar” o álcool. Deixa-se cozinhar por cerca de 5 minutos.

Finaliza-se cortando o peito de pato em tiras com cerca de um centímetro de espessura e servindo-se com um pouco de flor de sal por cima da carne e com o molho para acompanhar.

Recomendo que acompanhem este prato com uma salada ou com vegetais cozidos, ou salteados.

Et voilá! Não tenham receio e experimentem. É muito saboroso. 

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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Casa Barberi


Olá minha gente,

Hoje, em mais uma rubrica sobre “Restaurantes, Tascos & Afins”, dei um “saltinho” aqui ao lado e fui comer umas tradicionais tapas a “terras de nuestros hermanos”. Ai, Ai… os sacrifícios que faço só para vos dar a conhecer os melhores sítios para “encher o Bandulho” (como se diz na minha terra), ou a Barrigana, no meu caso.

Assim vim parar à localidade “raiana” de Ayamonte, logo do outro lado da fronteira e do rio Guadiana, a uma casa que por aqui faz as delícias de muita gente, não só de espanhóis, mas também de portugueses. Falo-vos da “Casa Barberi” que é um restaurante/casa de tapas familiar que se encontra aberta há mais de 70 anos, no número 13 da Plaza de la Coronacion, em Ayamonte, Huelva.

A Casa Barberi já é conhecida pelos locais, e também por muitos portugueses que lá costumam ir, pela simpatia do seu serviço, por vezes, até temos direito a atendimento em português “arranhado”, ou seja, é quase como se estivéssemos em casa. A decoração é simples, acolhedora e confortável e ainda podemos desfrutar da esplanada, que nos dias de sol e mais calor é bastante agradável.

Para o ambiente ficam os cinco Barriganas.

A ementa da Casa Barberi, é uma vasta lista pratos típicos da região da Andaluzia, assim como de outros pontos do país. Recomendo, desde já, que façam como os locais e se dediquem às tapas. Em primeiro lugar, uma tradicional “Tabua Serrana”, que inclui dois dos mais característicos produtos espanhóis, o incontornável presunto e o sempre saboroso queijo manchego. Continuando, recomendo também os “Boquerones en vinagre”, que equivalem aos nossos biqueirões/carapaus (pequenos) que nos chegam a “nadar” em azeite, vinagre e alho, seguido de um muito saboroso “Pulpo ala Gallega”, ou “Polvo à Galega”, sempre macio e acompanhado por batatas e pimentão-doce. Para finalizar, umas “Puntillitas” de fazer crescer água na boca, que são nada mais, nada menos do que, “Lulas fritas” em versão micro machines. Podem ter a certeza de que vir à Casa Barberi e não provar este prato é como ”ir a Roma e não ver o Papa”.

Relativamente à ementa ficam os cinco Barriganas.

Em média, o preço médio deste restaurante está entre os 10 e os 25 euros por pessoa que, ajudado pela taxa de IVA a 10%, faz com que seja um preço bastante simpático, tendo também em conta a qualidade do atendimento e da própria comida.

Assim ficam os quatro Barriganas para o preço.

Caso estejam na zona e gostem de apreciar as tradicionais tapas espanholas em todo o seu esplendor, este é um local bastante indicado. Barrigana recomenda.

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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

“Amigas” Beterrabas


Olá a todos,

Hoje venho falar-vos de um tubérculo que adoro. As “minhas amigas” beterrabas, eram-me, há muitos e muitos anos atrás, praticamente desconhecidas. Nessa altura, para mim, ouvir falar delas era como ouvir falar das grandes maravilhas do mundo antigo, “Os Jardins suspensos da Babilónia”… uuuuhhhh….”O Farol de Alexandria”… aaaaahhh, era tudo muito bonito dito, mas nunca lhes punha a vista em cima, ou lhes cravava os dentes… “Beterrabas”… UuuuAAAuuuu. Até que num belo dia os meus pais começaram a 
comprá-las e a partir daí nunca mais as perdi de vista.

Muitas vezes desprezada por miúdos e graúdos as beterrabas são um tubérculo que se pode comer na sua quase totalidade (acho que as raízes não são boas, mas não me admirava se também fossem comestíveis) e também são baratas, com cerca de 1,5€ compramos um molho de seis beterrabas. São extremamente fáceis de cozinhar (levam 35 minutos a cozer, por exemplo), uma vez cozinhadas têm uma grande durabilidade, podem aguentar até cinco dias no frigorífico, para além disto são bastante nutritivas e são um daqueles produtos que já estão disponíveis durante todo o ano.

Contêm carotenóides, principalmente a betaína (pigmentos naturais que variam entre o amarelo e o vermelho presentes principalmente nas folhas) que são antioxidantes que protegem as células, estando associadas à diminuição do risco de doenças cardiovasculares e cancerígenas. São ainda ricas em vitaminas A, B, B1, B2, B5, B6, C e K, que são responsáveis, respectivamente, pela preservação dos olhos - bem que a minha mãe me dizia que fazia, em conjunto com as cenouras, os olhos bonitos -, produção de energia, bom funcionamento do sistema nervoso, entre outras funções.

Estes viçosos tubérculos podem ser cozinhados das mais diversas formas. Com a “cabeça” da beterraba podemos fazer muitas saladas com combinações quase infindáveis, podemos também coze-las, ou até assá-las no forno (com um pouco de vinagre balsâmico), na chapa, na grelha e até cortadas às rodelas ou em palitos e fritas ou assadas no forno (à semelhança das tradicionais batatas fritas). Os caules ficam muito saborosos quando são salteados com alho e cebola, já as folhas (parecidas aos espinafres mais viçosos) também ficam bem cozidas, ou salteadas, ou até numa sopa.

Mas atenção, depois de as cortarem lavem bem as mãos, a tábua de corte e a faca, pois tingem tudo o que tocam e depois para lavar é uma autêntica “carga de trabalhos”.

Se são apreciadores, experimentem as várias opções de confecção possíveis, se não são dêem-lhes uma séria oportunidade que não se vão arrepender. Garanto-vos. 

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