sábado, 21 de setembro de 2013

Pão de tomate


Olá minha gente,

Hoje o Barrigana traz-vos mais uma das suas receitas e desta vez uma que se pode adaptar a várias situações. É um prato que vai bem com várias receitas, desde torrado e regado com um pouco de azeite, como numas saborosas e ricas migas, ou açordas de marisco.

Assim, para hoje trago-vos um “Pão de tomate”. Esta receita é inspirada numa receita muito famosa em Espanha, principalmente na zona da Catalunha, que se chama “Pan con tomate”, que consiste basicamente numa torrada com um fio de azeite por cima e esfregada abundantemente com uma metade de tomate fresco. Ora diz-se que esta receita tem a sua origem em trabalhadores que se deslocavam da sua região para outras para trabalhar. Há quem conte a “lenda” de que muitos trabalhadores da província de Múrcia que, nos anos 20 do século XX, se deslocaram para Barcelona para trabalharem na construção do Metro, plantavam tomates ao lado da linha de comboio para os barrarem no pão e assim comerem enquanto trabalhavam.

Esta é uma espécie de combinação desta receita, com a receita italiana de pão de alho. No fundo é a minha humilde tentativa de incorporar várias combinações tradicionais da “Dieta Mediterrânica”. 
Para isto vão precisar de:

- Cerca de 350g de Farinha Tipo 55;
- Cerca de 0,7dl de Azeite;
- 10 a 11g de Levedura/ Fermento de padeiro (1 saqueta);
- 15g de sal (fino);
- Pimenta q.b.
- Cerca de 2 colheres de sopa de Concentrado de tomate;
- 1 colher de chá de colorante alimentar vermelho;
- Cerca de 7g de ervas de Provence;
- 4g de alho em pó

Primeiro juntam-se todos os ingredientes numa taça, tendo sempre atenção para que, na fase inicial (em que se introduz cada ingrediente) o sal e a levedura não entrem em contacto (para que o sal não “mate” – são seres vivos – a levedura). Depois mistura-se tudo muito bem, juntando água (da torneira), cerca de 200 a 250ml, até formar uma massa peganhenta.

Posto isto, retira-se a mistura da taça e começa-se a amassar numa superfície enfarinhada, por cerca de 10 minutos, até obtermos uma massa homogénea e elástica. Nesta fase, leva-se a levedar, dentro da taça, por cerca de uma hora, num local seco e escuro, a massa deverá ter o dobro do tamanho inicial.

Passado este tempo, retira-se da taça e amassa-se por mais alguns minutos e “dá-se” a forma desejada à massa e leva-se a levedar por mais 45 minutos, desta vez numa superfície plana e tapada (para que não perca a forma).

Antes ir ao forno, termina-se polvilhando com água e farinha. Vai ao forno por cerca de 45 minutos, ou até estar ligeiramente dourado e estaladiço por fora. 


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quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Casa Primo dos Caracóis


Olá a todos,

Hoje venho falar-vos de um daqueles restaurantes que nos conseguem surpreender, apesar de todos os sinais indicarem o contrário.

Situado, literalmente, na berma da Estrada Nacional 125, mais precisamente em Quatrim Norte, Quelfes, Olhão, fica o Restaurante “Primo dos Caracóis”. À primeira vista, e sobretudo pelo nome, pensamos que é uma casa que se resume aos caracóis, bem estes são uma das principais razões pela fama desta casa. Mas não só.

Várias são as irresistíveis iguarias típicas da região que esta casa tem para apresentar aos seus visitantes. Devo recomendar os “biqueirões em vinagre” e “albardados”, ambos deliciosos, depois uns “alcabrozes fritos”, que acompanhados de umas gotas de limão se comem por inteiro. Continuo as minhas sugestões com umas já tradicionais “amêijoas à bulhão pato” e umas “ostras da ria abertas ao vapor”, umas inesquecíveis “conquilhas abertas”, “ovas de choco de tomatada” e umas crocantes “ovas de pescada fritas”. Para acompanhar todo este festim de petiscos, recomendo um “Terras do Grifo” branco e para rematar toda a refeição, a “tarte de limão merengada” desta casa é a minha sugestão.

Por tudo isto ficam os cinco Barriganas para a ementa.

Em termos de ambiente, “O Primo” (como muita gente lhe chama carinhosamente) é uma típica casa de petiscos com instalações confortáveis e com o seu “quê” de “caseirinho” com um atendimento simpático e muito competente. Apesar disto não se pode esperar uma bonita paisagem para a ria, ou coisa do género, só vamos ver carros a passar, o que por outro lado acaba por nos dar a possibilidade de apreciarmos com mais atenção a excelente comida e a companhia.

Para o ambiente ficam os três Barriganas.

Relativamente ao preço, ronda os 12 e os 15 euros, em média, por pessoa, o que tendo em conta a quantidade e a qualidade das iguarias apresentadas é um preço bastante acessível.     

Assim, ficam os quatro Barriganas para o preço.

Já sabem, experimentem, o Barrigana recomenda.


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terça-feira, 17 de setembro de 2013

Annabel Langbein – Assado de Cebola roxa


Olá a todos,

Hoje, em mais uns “Desafios do Chef”, vou fazer uma saborosa receita de Annabel Langbein.

Annabel é uma célebre cozinheira amadora, escritora e apresentadora de programas de culinária da Nova Zelândia. Defensora acérrima do uso de produtos orgânicos, sazonais produzidos de uma forma sustentável, iniciou-se na cozinha por influência da sua mãe, mas nunca estudou para ser chef, apesar de ter feito alguns cursos de cozinha no Culinary Institute of America.

Antes disso formou-se em Horticultura (na Nova Zelândia), por influência do seu pai, que lhe passou o seu gosto por cultivar a sua própria horta. Hoje em dia, ela continua a cultivar os seus próprios vegetais, frutas e ervas aromáticas, que usa nos seus pratos.
Trabalha como jornalista/escritora de culinária desde 1984. Desde aí escreveu em várias revistas do género e já publicou 16 livros, que foram traduzidos em várias línguas. Para além disto fundou a sua própria produtora de televisão, através da qual se lançou no mundo dos programas televisivos sobre culinária.
A receita que vos trago hoje é precisamente de um desses programas, “The Free Range Cook”, que por cá passa no 24 kitchen. Assim, para hoje temos, “Assado de cebola roxa”. Os ingredientes são:

(Para 3 pessoas)
- 3 cebolas roxas (médio/grande);
- 2 colheres de chá de mel;
- 1 ½ colheres de sopa de vinagre balsâmico;
- 2 folhas de louro;
- 2 a 3 raminhos de tomilho;
- 3 cubinhos de manteiga;
- Azeite, sal e pimenta
Num tabuleiro para ir ao forno, previamente coberto por papel de alumínio e com um fio de azeite no fundo, dispõem-se as cebolas roxas descascadas, às quais cortamos as extremidades.
Depois regam-se com um fio de azeite, o vinagre balsâmico e o mel. Tempera-se com sal, pimenta, as folhas de louro e os raminhos de tomilho.
Antes de ir ao forno por 30 minutos, tapa-se com outra folha de papel de alumínio. No fim deste tempo, retira-se do forno e regam-se as cebolas com o molho que se forma no fundo do tabuleiro. Finaliza-se dispondo os cubinhos de manteiga no topo das cebolas e levando ao forno por mais 45 minutos, desta vez destapadas e a baixa temperatura.
Este prato é excelente para ser servido como acompanhamento de pratos de carne assada.

Experimentem, é muito saboroso.

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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Especiarias


Olá a todos,

Como bom português eu adoro especiarias, ou não fossemos nós descendentes directos dos primeiros ocidentais que tiveram contacto e que comercializaram estes produtos.

Em casa, felizmente tenho um autêntico depósito das mais variadas especiarias e sempre que tenho oportunidade e vou aos locais indicados para as comprar, venho sempre com algumas na bagagem.
Hoje venho falar-vos de algumas curiosidades sobre especiarias.

Pimenta preta
Nos séculos XV e XVI, época áurea dos descobrimentos marítimos, o valor da pimenta em grão era tão alto, que esta era usada como moeda. Foi o grande valor que as especiarias atingiam nessa época, que ajudou à expansão do império português.

No Brasil, por exemplo, costuma chamar-se “pimenta-do-reino” à nossa pimenta preta, pois enquanto o Brasil ainda era uma colónia, eram os portugueses que forneciam esta especiaria, logo, como vinha directamente do reino, passou a chamar-se desta forma, em “terras de Vera Cruz”.  

Numa época anterior aos descobrimentos, na Idade Média, a pimenta preta era usada para disfarçar o sabor de alimentos que já estavam a entrar em decomposição. Devido ao seu sabor forte e um pouco picante, a pimenta conseguia sobrepor-se ao sabor da comida que estivesse numa fase inicial de decomposição.

Pimenta Szechuan
A pimenta Szechuan, é uma especiaria proveniente da província de Szechuan, na China (daí o seu nome).
Muitas vezes associada à família das pimentas preta e branca, esta é bem mais semelhante a especiarias como o cravinho ou o anis estrelado, devido ao seu aroma mais floral, levemente cítrico e pela sua cor rosa/avermelhada.

Um aspecto muito curioso desta pimenta é que, ao contrário do que muitas vezes se pensa, não é exactamente picante, mas possuí um químico que provoca dormência na língua, podendo, se usada em grande quantidade, adormece toda a boca.  Devido a este facto, na província de Szechuan é normalmente ser utilizada acompanhada de malaguetas fortes, para que a pimenta adormeça a língua, preparando a chegada do picante.

Cravinho
Originário das Ilhas Molucas, na Indonésia, o cravinho (ou cravo-da-Índia) é uma árvore que tem nos botões das suas flores (quando secos) uma das especiarias mais usadas em todo o mundo, desde a antiguidade.

Sendo actualmente mais cultivado noutras regiões como, Madagáscar e Granada, o cravinho é muito utilizado, para além da culinária, também na indústria farmacêutica, cosmética, na odontologia, medicina ayurvédica, na medicina chinesa e também na fitoterapia ocidental.

Tendo sido usada para temperar comida desde a antiguidade, esta especiaria foi uma das razões que levaram diversos navegadores portugueses ao continente asiático, tendo, no início do século XVI, um quilo de cravo atingido um valor equivalente a sete gramas de ouro.

Na China, por exemplo, os cravinhos eram usados não só como condimento, mas também como um anticéptico bucal. Qualquer pessoa que tivesse uma audiência com o imperador chinês teria que mascar cravinhos para prevenir o mau hálito.

A Indonésia é o maior produtor mundial de cravinho, detendo mais de 50% da sua produção. Esta situação verifica-se não tanto pelo uso culinário, mas mais para a indústria tabaqueira. Agora devem estar confusos. Passo a explicar. Neste país, é tradicional (e uma prática extremamente popular) fumar-se cigarros aromatizados com cravinho.       

Por isso já sabem, o Barrigana recomenda. Usem (e abusem) das especiarias.

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