sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Feijão à Cowboy


Olá a todos,

Hoje o Barrigana traz-vos mais uma das suas receitas. Esta é daquelas receitas que começam a saber-nos melhor à medida que o tempo vai arrefecendo, contudo, também nos satisfazem como acompanhamento de uma boa churrascada de carne no quintal, enquanto ainda está calor.

Assim, hoje trago-vos uns “Feijões à Cowboy”. Para fazer esta receita fui buscar inspiração ao prato inglês de “baked beans”, os tão famosos feijões comidos ao pequeno-almoço, em terras de sua Majestade. 

Lembro-me, na primeira vez que estive em Londres, de tê-los comido muitas vezes e de me ter sentido bastante dividido…”hummm, sabem muito bem, mas….são 9 da manhã e ‘tou a comer feijões.” De qualquer das formas, nesta receita tentei pegar nestes feijões e abrilhantá-los um pouco. Vão precisar de:

- Baked Beans (1 lata 415g com molho);
- ¼ de cebola (picada);
- 3 dentes de alho (picado);
- 1 pedaço de gengibre (com cerca de 2 cm picado finamente);
- 1 tomate (grande);
- Concentrado de tomate (em pasta 1 colher de sopa);
- 1 colher de chá de mostarda;
- ¼ de pimentos verde (picado);
- Cerca de 4 colheres de sopa de Ketchup;
- 2 folhas de louro;
- Cerca de 15 a 20cl de Café forte;
- Tabasco (a gosto);
-1 colher de chá de Cominhos;
- ½ colher de chá de paprika;
- 1 colher de sopa de Molho de soja;

Esta  receita é daquelas que é óptima pois basta cozinhar todos os ingredientes num só tacho e assim não perdemos tempo a lavar loiça. É o que os ingleses chamam de “one pot wonder” (“uma maravilha num só tacho”).

Para começar num tacho com azeite salteia-se a cebola, os alhos e o gengibre até ficarem translúcidos, depois juntamos o tomate cortado em pedaços, o concentrado de tomate e a mostarda. Deixa-se cozinhar por alguns minutos.

Nesta fase junta-se o pimento verde (para dar algum contraste ao sabor do tomate), deixando cozinhar um pouco. Posto isto, juntam-se os feijões com o liquido, seguido do ketchup e das folhas de louro. Deixa-se cozinha por cinco minutos com o tacho tapado.

Agora juntamos o café - eu sei que parece estranho, mas o café ajuda a dar mais corpo a todo o prato. 
“Apanhei” esta dica de uma receita do Jamie Oliver e, como aliás já era de se esperar, resulta na perfeição. Voltamos a deixar cozinhar, desta vez com o tacho destapado, para que o caldo reduza um pouco. Depois entram as especiarias, o tabasco, os cominhos, a paprika e o molho de soja. Atenção! Antes de terminar há que provar para corrigir os temperos e caso necessário junta-se sal e pimenta (desta vez não juntamos soja para que não sobressaia muito, apenas poderemos precisar de mais sal).      

Este é um prato que é muito bom por si só, acompanhado apenas com arroz branco, ou também como acompanhamento de carne grelhada na brasa.

Vão ver que no fim até vos vai apetecer soltar um…”Hiiii-haaawww!!!!”

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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

O regresso dos Chefs da minha família


Olá minha gente,

É verdade meus amigos, os Chefs da minha família estão de volta. Desta vez venho dar-vos a conhecer as famosas habilidades culinárias de mais dois elementos da minha família.

A mãe da “Senhorita Barrigana”, Dona Linda, ávida apreciadora de picante e com um “dedinho especial” para o gourmet. O seu empadão de carne é do melhor que há, assim como o de peixe. E não poderia deixar de referir os seus famosos bifinhos de peru com molho de mostarda, receita criada pela própria, patenteada, e ai daquele que tente copiar.

A avó da “Senhorita Barrigana”, Dona Maria João, a matriarca da família, grande apreciadora de comida chinesa e que dedicou grande parte da sua vida a cozinhar para a família. É especialista em vários pratos como frango frito (ainda hoje há quem se babe só de pensar nele), tudo o que é arroz, de polvo, de cabidela, de conquilhas e ainda arroz de conserva. Tenho ainda que referir que as suas almôndegas são melhores do que qualquer uma feita em Itália.

Mais uma vez, tenho que dizer, que sem estas pessoas, o Barrigana nunca poderia ser da mesma maneira.


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quarta-feira, 11 de setembro de 2013

A Casa da Dízima


Olá a todos,

Hoje o Barrigana vem falar-vos de mais um daqueles restaurantes que nos deixa cravado na memória, cores, aromas e sabores, e que nos conseguem fazer recuar atrás no tempo, porque são verdadeiros “monumentos históricos”.

Situado no número 17 da Rua Costa Pinto, em Paço D’Arcos, o Restaurante “A Casa da Dízima”, é uma casa muito antiga, com paredes cheias de histórias, que mantêm o traçado original desde o século XV, onde era efectivamente o que o nome actual diz, uma casa de cobrança da dízima.

Ora, a dízima era um imposto com origens medievais (que se praticava nos portos do “mundo cristão”) e que consistia num tributo ao Rei, de dez por cento (uma dízima) do valor da mercadoria, ou de qualquer bem, carregado ou descarregado nesse porto.

Posteriormente, no século XIX, a casa foi usada por uma das figuras ilustres da vila, o patrão Joaquim Lopes, como comando do salva-vidas do serviço de socorros a náufragos, tendo mandado instalar uma sineta de alerta de ocorrências em dias de temporal, da qual ainda existem vestígios na fachada poente do edifício.

Depois destas aventuras, já nos nossos dias, a casa ganhou uma nova vida em Maio de 2003, com a sua abertura como restaurante, onde a harmonia entre o passado e o presente é bem visível, num jogo de contrastes entre as instalações modernas, descontraídas e confortáveis e a textura rugosa da pedra das 
paredes.

O atendimento é muito simpático e educado, repleto de boas sugestões, casa estejamos indecisos em relação a que pratos ou vinho escolher. Destaco também a esplanada situada no terraço do edifício, indicada para os dias de maior calor e que oferece uma vista privilegiada para o rio Tejo, ponte 25 de Abril e farol do Bugio.   

Para o ambiente ficam os cinco Barriganas.

Relativamente à ementa, é vasta e muito completa na variedade de pratos que apresenta. Tanto podemos comer um excelente prato de peixe, assim como um inesquecível prato de carne, sempre com produtos nacionais e da melhor qualidade. De qualquer forma, na minha opinião, os pratos de carne são (sem dúvida) o ponto alto da ementa, muito bem confeccionada e com opções quase infindáveis. Quero destacar para entrada uns saborosos “Bombons crocantes de farinheira, grelos e batata-doce, piso de salsa e redução de balsâmico” como pratos principais, uns suculentos “Medalhões de javali mimados, trouxa de Chévre, espinafres e tomate, puré de maçã e molho frio de uva moscatel”… sim tudo isto num prato. Destaco também um tenríssimo “Medalhão de vitela em creme de foie-gras e risoto de cogumelos silvestres”. Para sobremesa, sugiro de entre muitas saborosas sobremesas, e como ainda está calorzinho, um duo de gelados composto por “Gelado de Moscatel e gelado de maracujá (duas bolas) ”.

Tenho que destacar ainda a variada, quase rara nos dias que correm, garrafeira de que “A Casa da Dízima” dispõe. A escolha dos vinhos (tanto brancos, como tintos e até rosés) é bastante alargada e criteriosa, dentro da qual devo destacar o vinho que acompanhou esta minha refeição, o vinho algarvio “Barranco Longo Rosé”, uma excelente escolha. O restaurante dispõe também da opção de vinho a copo.

Para a ementa ficam os incontornáveis cinco Barriganas.

O preço é um pouco mais elevado, ronda em média os 30 euros por pessoa, o que nos dias de hoje é um pouco “puxado”, apesar disto, considero que, para a excelente qualidade da casa, do atendimento e, acima de tudo, da comida é um valor que é bem empregue.

Ficam os quatro Barriganas para o preço.

Este é um excelente sítio para celebrar uma ocasião especial e para partilhar com pessoas especiais.

Experimentem. O Barrigana recomenda.

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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Mitos na Cozinha II – Melancia


Hoje, mais uma vez, o Barrigana “veste” a pele de detective para verificar a veracidade de alguns mitos que, muitas vezes, nos atormentam na cozinha. Desta vez, vou debruçar-me sobre os mitos que envolvem a melancia.

O Vinho depois da melancia “encortiça o estômago” ou “empedra o estômago”.

É verdade que se experimentarmos deitar algumas gotas de vinho na polpa da melancia ela enrijece. A interferência do vinho na melancia passa meramente por aumentar o PH no estômago, aumentando o tempo da digestão e levando a alguma sensação de enfartamento, mas que não traz nada de prejudicial ao organismo. Contudo, por norma, nas situações em que poderá ser acompanhada com vinho (às refeições) ela mistura-se no estômago com outros alimentos, o que leva a que este fenómeno muito dificilmente aconteça.

Muitas vezes este mito aparece associado a um outro, que diz que a melancia é uma fruta indigesta. Bom, em primeiro lugar, a melancia é uma fruta rica em água, vitaminas A e C, potássio e outros minerais. Esta crença provém, precisamente, da sua composição, pois contém na sua polpa fibras insolúveis que fazem aumentar os movimentos intestinais, dando a sensação de que a digestão é complicada.

De qualquer das formas não aconselho a comerem uma fatia de melancia acompanhada/seguida de um copo de vinho.

A melancia é afrodisíaca.

Um estudo defende que este fruto actua contra a impotência sexual por intermédio de um nutriente chamado citrulina, que age de forma semelhante ao princípio activo do famoso comprimido azul - Viagra. Apesar de ser um estudo bastante recente, e pelo qual se aguardam ainda por mais certezas, chegou-se à conclusão de que a citrulina presente na melancia actua como relaxante dos vasos sanguíneos, permitindo que a zona seja irrigada de uma forma mais eficaz. Pelo sim, pelo não, fica aqui a dica.


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